Publicado por: Revista YMSK | 1 Agosto 06

Texas Chainsaw Massacre 2 – A Trilha Sonora


 

            O Massacre da Serra Elétrica II (1986), do diretor Tobe Hopper, é um filme inusitado e curioso por dois motivos: primeiro por ser completamente diferente do clássico do terror psicológico – O Massacre da Serra Elétrica (1974), dado seu caráter satírico que torna a obra muito mais cômica do que aterrorizante; e depois, pelo fato de ter em sua trilha sonora, e em parte de seu roteiro, uma presente e divertida veia pop-rockeira.

Boa parte do filme se passa em torno de uma rádio perdida no Texas: a K-OKLA. Entre a profusão de objetos decorativos na parede da emissora já aparece algo inusitado: um pôster dos Beatles que contém a “capa proibida” de um compacto de 1966 em que o fab four aparecia entre bonecas retalhadas e pedaços de carne com todos os quatro vestidos de açougueiros. Genial e sutil sacada visual para o ‘massacre” anunciado.

O personagem nonsense Chop Top ainda faz referências à banda psicodélica Iron Butterfly e ao Humble Pie na cena em que vai até a K-OKLA para fazer um pedido musical e acaba sendo atingido por uma serra que estraga sua peruca, como ele diz: à la Sonny Bono (o ex-marido e ex-parceiro musical da cantora Cher), sem dúvida, uma das seqüências mais estapafúrdias e engraçadas da película.

Da trilha em si, vemos muitas bandas obscuras (nenhuma música delas se tornou um grande hit), mas, todas as canções escolhidas para o filme funcionam muito bem na combinação com as imagens – o que é visível logo no início do filme com “Shame on You” do Timbuk 3, uma dupla americana dos anos 80 caipiresco-modernosa. Assim como o gótico-punk do The Lords of the New Church casa com perfeição quando “Mind Warp” ecoa dentro da K-OKLA.

“No One Lives Forever” canção da mais mainstream das bandas da trilha: o Oingo Boingo, dá as caras na infame seqüência em que os dois jovens são “serrados”, pelo serial killer Leatherface, na perseguição em uma ponte no cair da noite texano. Apesar do gore relatado, ainda sim, a cena pode ser vista como engraçada. Só vendo para conferir o pastelão.

O Torch Song – desconhecido duo londrino e o espalhafatoso The Cramps contribuem com seu som roqueiro de toques eróticos e de terror. “Go Go Muck” do Cramps anuncia: “When the Sun Goes Down and the Moon Comes up”…a noite se aproxima, e além de rock’n’roll, outros sons “elétricos” iriam ressonar.

O som indie dos anos 80 apresenta-se em rápidos momentos com o Concrete Blondie – que emergia no mundo musical em 1986. A banda contribui com duas músicas na trilha sonora: “Over Your Shouder” e “Your Haunted Head”.

A canção dos créditos é “Strange Things Happen” do ex-baterista do The Police Stewart Copeland, que se dedicou, após 1984, com o fim do grupo, a compor trilhas para diversos filmes. Boa letra para o desfecho da estória, mas, com uma melodia bem característica do seu ex-grupo: morna e insossa, que cairia bem apenas para filmes estritamente sobre cowboys ou mesmo os road movies. Poderia acabar com o Oingo Boingo para ficar mais escrachado e vibrante sem perder o humor e, também, um pouco do ‘horror”.

por Luiz A. Augusto


Deixe uma resposta

Sua resposta:

Categorias