
Quem já viu um show do AC/DC conhece o verdadeiro sentido da expressão “High Voltage Rock´n´roll” – som no volume máximo misturado com a vibrante catarse performática do legendário guitarrista Angus Young. Então, melhor do que somente ouvir o AC/DC, é preciso “ver” o AC/DC em ação.
O show do grupo, da turnê Ballbreaker, no estádio do Pacaembu, em São Paulo no ano de 1996, foi memorável – tirando a abertura do Angra, claro -; mas, o que se via ali era o AC/DC, que, desde 1980, figurava como uma banda “pesada”, abraçada pelo mainstream, e que era cultuada, cada vez mais, pelos legítimos fãs do heavy metal: o manjado tipo cabeludo que exibe com orgulho nas ruas o logo de sua banda predileta em camisas pretas com estampas, quase sempre, de segunda qualidade.
Quem olhar para o AC/DC antes da década de oitenta, verá que as coisas não eram bem assim. Na época o vocalista era Bon Scott, o grupo fazia pequenas e médias apresentações e a banda era vista como um quinteto de rock ou mesmo, porque não dizer, de “hard blues”; então, é claro que o AC/DC pós-1980, com os vocais de Brian Jonhson, era uma banda que manteve de certa forma o estilo inicial, mas perdeu um pouco o carisma e foi engolida pelo fenômeno do “metal”.
Para ouvir, ver e sentir essa aura da “primeira fase rock” do AC/DC, ir a um concerto atual deles para milhares de pessoas não é, definitivamente, o melhor caminho, o melhor é sentar-se em frente à TV, colocar o volume das caixas de som no máximo e assistir ao primeiro disco do DVD duplo Family Jewels (2005), que abrange imagens dos primórdios da banda, no período de 1975 a 1979. O AC/DC surgiu em Sidney, na Austrália, em 1973, seu primeiro vocalista foi Dave Evans, que gravou o primeiro single da banda: Can I Sit Next to You Girl. A postura glam rock de Evans logo irritaria o grupo e traria o motorista da banda, isso mesmo, o motorista da banda: Bon Scott, para trazer à tona o melhor vocal da história do AC/DC, que, infelizmente, duraria até 19 de fevereiro de 1980, quando Bon foi achado morto no banco de trás do carro de um amigo – provavelmente sufocado pelo próprio vômito.
Nada melhor que relembrar os cinco melhores anos do AC/DC com Bon Scott em Family Jewels. De cara, o cover da música Baby Please Don´t Go com Bon vestido de mulher e o vídeo de Let There Be Rock já denunciam: no rock, a “diversão” é mais importante que o “estilo”. Outros diversos e raros vídeos promocionais recheiam o DVD, com destaque para: It’s A Long Way To The Top – onde a banda, ainda aspirante ao “Top do Rock”, percorre as ruas de Melborne; Jailbreak – que se tornou o clipe mais conhecido, e talvez o único dos primeiros tempos do grupo a figurar algumas vezes na programação das emissoras de música; além do clássica High Voltage – que da nome ao seu primeiro álbum.
Os trechos de shows também enfatizam o vigor ímpar de Angus aliado a voz aguda de Bon: Rocker, ao vivo em Glasgow, em 1978, é o grande exemplo de show que vale cada centavo do ingresso. E, ainda, muito além do que o DVD oferece, conseguimos achar facilmente na internet, diversos vídeos com shows do AC/DC pelos anos 70, que, indiscutivelmente remetem àquela sensação de querer ter estado lá e visto com tudo com os próprios olhos, como é bem ilustrado em: Bad Boy Boogie , em um show de 1978. Já o disco 2 do DVD Family Jewels abrange o AC/DC em ação com Brian Jonhson. Muitos consideram Back in Black (1980), primeiro disco após a morte de Bon, a grande obra da banda, então, o disco 2 pode seduzir os mais “midiatizados” que se acostumaram a associar o AC/DC apenas com seus hits de rádio manjados: You Shock Me All Night Long, Back in Black, Thunderstruck entre outros.
Claro que a banda continua com seu valor, afinal, o ícone Angus Young permanece até hoje sendo o principal atrativo do grupo – e sem perder o fôlego -, mas, seus vídeos, desde 1980, não chegam perto daquele cheiro de inocência escrachada e do underground roqueiro da fase anterior. Apesar da perda de Bon, a contaminação inevitável do mainstream e o assédio da moda “metal”, ainda sim, o grupo mantém seu estilo inabalável e inconfundível até hoje. Então, coloque tambem o disco 2 em seu aparelho, aumente o som e selecione, digamos…: Moneytalks – uma canção com uma letra que nunca saí de moda e com a antiga sátira do AC/DC à flor da pele: Angus impresso nas notas de 1 dólar já !!!
por Luiz A. Augusto
Angus impresso nas notas de 500 euros já !!!
Por: Ethelred em 4 Novembro 07
às 9:33 pm
ballbreaker tour 96 pacaembu.sp .vc sabe quem tem o show gravado?
Por: cesar em 17 Dezembro 07
às 1:39 am