Publicado por: Revista YMSK | 1 Setembro 06

The Rolling Stones Rock and Roll Circus

 

           Assisti várias vezes ao histórico filme “The Rolling Stones Rock and Roll Circus” para tentar sentir o clima da gravação do show. Depois, vi que era bobagem essa tentativa… Porque já basta a atmosfera quase-fantástica que envolve John Lennon e Mick Jagger cantando, fazendo piadinhas e caretas para as câmeras, em um ambiente tão, digamos, “humilde”, se considerarmos que estamos falando de deuses do rock.

O filme foi gravado em dois dias de dezembro de 1968 em um pequeno circo mambembe inglês, com trapezistas, palhaços, platéia e músicos convidados para “abrir” o show dos Stones. Os participantes do show foram Jethro Tull, The Who, Mariane Faithfull, Taj Mahal e The Dirty Mac – banda de apresentação única formada por John Lennon, Eric Clapton, Keith Richards e Mitch Mitchell, com participação de Yoko Ono.

O que há de melhor nesse filme é o encontro harmonioso entre algumas feras do rock! Acredito que o evento, ao mesmo tempo profissional, mas aparentemente tão ingênuo, seria impossível nos dias atuais, quando os músicos têm agendas lotadas e gravadoras draconianas. Talvez não pudessem participar de um produto para promover o concorrente. Felizmente, como a gente pode ver no filme, é um ambiente de diversão também. Isto é visível no comportamento, fora do palco, do The Who e de Lennon, na época, já tão famosos quanto o The Rolling Stones.

Ao ouvir os comentários-lembranças do diretor, ficamos sabendo como o evento foi montado e que houve envolvimento direto dos músicos na organização, especialmente Mick Jagger e Keith Richards. Aliás, esses comentários foram também muito importantes para que eu valorizasse ainda mais o show. As informações transformam o filme-clipe em um filme-documentário, com detalhes de como as cenas foram feitas, falam dos problemas com pessoal e equipamentos. Até mesmo fazem piadinhas com a parte mais bizarra do show, quando Yoko Ono sai de dentro de um saco preto, que se encontra sobre o palco, para cantar com a banda Dirty Mac. O diretor destaca as caras e bocas do violonista aparentemente desconfortável c/ o zumbido da Yoko. Com os comentários, a cena, em vez de chata, porque longa demais, fica engraçada.

As cenas mais hilárias do filme são protagonizadas pelo The Who. No fim do show, Keith Moon e seus parceiros aparecem muito felizes, dançando na platéia com assentos das cadeiras pendurados no corpo e na cabeça fazendo às vezes de chapéu. Também é divertido ver John Lennon se sacudindo ao som de “Sympathy for the devil”.

Sem dúvida, a melhor apresentação do show é dos próprios Stones, cujo clímax se dá com Mick (lindo!) sacolejando em sua performance de terreiro de macumba em “Sympathy for the devil”. Um espetáculo! Além disso, temos a oportunidade de ver a última apresentação pública de Brian Jones com a banda.

Se você ainda não viu, sugiro que veja assim: na primeira vez, o filme-show puro, sem comentários; na segunda vez, o show sob comentários dos diretores. Garanto que é diversão e informação boa para quem gosta de rock’n roll.

Set list:
Song for Jeffrey – Jethro Tull
A Quick One, While He’s Away – Who
Ain’t That a Lot of Love – Taj Mahal
Something Better – Marianne Faithfull
Yer Blues – The Dirty Mac
Whole Lotta Yoko – Yoko Ono / Ivry Gitlis / Dirty Mac
Jumping Jack Flash – The Rolling Stones
Parachute Woman – The Rolling Stones
No Expectations – The Rolling Stones
You Can’t Always Get What You Want – The Rolling Stones
Sympathy for the Devil – The Rolling Stones
Salt of the Earth – The Rolling Stones

por Alessandra Carvalho

 


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