
“Sim, Sim, Sim” – Dean Moriarty
Incontáveis as vezes em que Dean Moriarty, (o coadjuvante mais principal já escrito) repete a mesma palavra três vezes numa mesma frase para exprimir a intensidade com a qual ele recebe toda e qualquer notícia.
“On The Road”, por excelência, é o livro de uma geração.
Antes do anos 60, antes dos Hippies, antes da Disco, do Punk final dos anos 70 começo dos 80, Jack Kerouac ousou imaginar um futuro próximo cheio de viajantes ensandecidos e enlouquecendo (a famosa Geração Beat) o mundo como nos conhecemos.
Tudo o que eles precisavam era uma mochila (ou às vezes um baú) e muita vontade de ir embora. Na base da carona, dos conhecidos, da estrada, o personagem Sal Paradise (um reflexo – senão cópia carbono – do autor) se deixa levar por inúmeras viagens pelo próprio país e fora dele (mas nos arredores).
São tantas as experiências e o jeito rápido, ofegante, quase quimicamente alterado de se escrever que cada página (e isso não é uma hipérbole!) parece descrever uma grande/hercúlea aventura condensada em algumas palavras arremessadas contra você como um carro em alta velocidade em sentido oposto numa estrada tortuosa. Lembrando as notas improvisadas do Jazz tão apreciado por Moriarty.
Confuso? Imagina…
Kerouac escreve de um jeito tão habilidoso que deu a entender que ele é /foi mais amigo das palavras do que qualquer outro mortal vivente (Guimarães Rosa revira no túmulo).
Sucintamente, “On The Road” é considerado a obra prima de Jack Kerouac, um dos principais expoentes da Geração Beat estadunidense e considerado a bíblia dos jovens dos anos 60, que colocavam a mochila nas costas e botavam o pé na estrada. Foi lançado nos Estados Unidos da América, pela primeira, vez em 1955.
Responsável por uma das maiores revoluções do século XX, “On The Road” escancarou ao mundo o lado sombrio do sonho americano, a partir da viagem de dois jovens – Sal Paradise e Dean Moriaty – que atravessaram os Estados Unidos de costa a costa. Também são encontrados no livro alguns escritores na forma de personagens, como Allen Ginsberg, como como Carlo Marx, e William Burroughs, como Old Bull Lee.
Além de ser um marco da escrita contemporânea, “On The Road” se destaca ainda mais por ser um livro que influenciou a música (e conseqüentemente os músicos), do rock ao pop, passando pelos hippies e, mais tarde, marcando até o movimento punk. Difícil imaginar a obra de Bob Dylan, Jim Morrison, Lou Reed, Joni Mitchell, Neil Young, Beck, Tom Waits, Bono, entre tantos sem a influência decisiva de Jack Kerouac.
É um daqueles livros que você precisa ler, reler, ler mais uma vez até entender a mensagem e perceber que cada um de nós tem a sua estrada e nossa única missão é tomá-la sem se preocupar aonde vamos parar (lindo isso não? Tô fazendo minha mala agora…).
por Denis Pacheco
On The Road – Jack Kerouac
Edição: 1 (2004)
Editora: L&PM
Número de páginas: 380
Lançado originalmente em: 1957