Publicado por: Revista YMSK | 1 Março 07

Oê oê oê Eu sou mais indie que você

 

         Escrever esse artigo poderia ser comparado a voltar a andar de bicicleta, entretanto, segredos obscuros da minha infância me impedem de fazer essa comparação, ou seja… vamos ao artigo e vamos ao Rock Indie!

O nome “Indie rock” tem sua raiz no termo “independente”, que descreve tanto as atitudes do punk (do-it-yourself – faça você mesmo) quanto a natureza das bandas que nessa classificação se encaixam (bandas menores, com orçamentos igualmente diminutos pertencentes a selos musicais que correm por fora dos grandes conglomerados como Sony, EMI, entre outros).

Os maiores selos indies (se isso não é paradoxal, não sei o que seria) geralmente fazem acordos de distribuição com as chamadas “majors”, mais ainda assim conseguem manter autonomia em relação ao seu processo de seleção e criação que caracteriza esse estilo específico do rock, mais experimental, com a coragem de explorar sons, emoções e letras que não necessariamente apelariam ao grande público (e é aí que começam as rivalidades entre ser ou não ser um “indie”, já que a música perpassou o som e se tornou adereço cultural de algumas tribos). O grande mérito desse estilo é afirmar que o lucro nem sempre é visado na criação de um álbum, o que obviamente tem implicações pseudo-marxistas não abordadas por essa coluna, pelo menos não hoje.

A verve do “indienismo” surgiu nos idos do Underground da década de 80 contando com algumas peculiaridades em comparação ao que chamamos de indie rock dos dias atuais. Em seu princípio, a cisão clara entre o indie e o rock alternativo era mais difusa até que a ruptura dos anos 90 (a.k.a. Nirvana) acabou mesclando e confundindo as barreiras entre o que seria independente, o que seria underground e, especialmente, o que seria “mainstream”.

Durante esse período de diáspora rockeira, o mainstream acabou tomando a forma de um hard-rock crítico, tomado pela testosterona de seus maiores ícones que construíam letras pesadas e atacavam os chamados valores da sociedade contemporânea.

Foi nessa época que o Indie Rock tomou um rumo adverso como uma reação física ao fenômeno explosivo capitaneado pelo Nirvana e pelo movimento que se intitularia “grunge” ao longo do resto da década. Similar ao punk, os rockeiros indies se comportavam de forma arredia frente ao “comercialismo” musical chegando a conjurar o termo “bandas que se venderam”, muito usado hoje em dia em debates acalorados nos botecos da vida.

A impressão geral é que era supostamente impossível ser “indie” e ao mesmo tempo agradar os gostos do mainstream. Será?

Dentre os sub-gêneros surgidos ao longo da história indie, muito se alegou que eles não caberiam no gosto comum ou por serem muito esquisitos (sim, esse é o termo), muito melancólicos, muito delicados, muito hipnóticos, muito íntimos, muito lo-fi, muito angulares em suas melodias e riffs, muito crus, às vezes abrasivos aos ouvidos desacostumados e diante esse imbróglio foram surgindo as hoje aclamadas: Sonic Youth, Pixies, Jesus and Mary Chain, entre tantas outras criando nichos específicos dentro do “mundinho indie” e que atualmente são elevadas em pedestais do experimentalismo rock.

Tirando todas as sandices do gênero, o rock indie é tido como um rock feito por e para “outsiders”, similar ao que o rock alternativo um dia já foi. Ele corre por fora da testosterona, do visceral, do som que é capaz de estourar seus tímpanos numa única rufada (!).

Conforme os anos 90 passaram, alguns dos sub-gêneros foram pipocando e se tornando poderosos aliados no movimento subversivo dos indies rumo a conquista mundial (indie pop, dream pop, noise-pop, lo-fi, post-rock, space-rock, o sadcore e… pasmem… até o emo)

Hoje, em tempos de Lucio Ribeiro (conhecido por todos os chamados indies, tribo da qual não falarei já que o assunto aqui é estritamente o som), bandas antes tidas como independentes tornam-se capa de cadernos diários dos jornais. Aparentemente estamos diante de uma nova ruptura dos anos 2000 fomentada tanto pela internet, quanto pela busca individual pela “qualidade” e por um som que não precisa necessariamente agradar a todos, mas a cada um de nós.

Como declarou a revista Time no ano passado, o “eu” se tornou a personalidade do ano, e ninguém melhor para entender o “eu” como o Indie Rock.

por Denis Pacheco


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