
Kurt Cobain tem uma história contraditória, e isso só aumenta mais a sua lenda. Ele tocava na banda que não era a primeira nem a melhor do cenário independente americano do final dos anos 80, mas se tornou a expressão máxima daquela geração. Era um cara recluso, sofria de depressão e repudiava a fama, mas foi um ídolo meteórico. Morreu para fugir de tudo isso, e virou o Lennon de 1990. Aliás, até mesmo sua morte é controversa: um cara entupido de heroína conseguiria disparar uma espingarda contra o próprio queixo?
Por isso, quando falamos de Cobain, acabamos inevitavelmente no ponto em que ele era um fenômeno cercado de mistério, e cujo fim nunca será explicado. É bem isso que Gus Van Sant refuta, em “Últimos Dias” (Last Days), a cinebiografia de Kurt, recém-lançada em DVD. Aqui, Kurt não lembra nem de longe o Ídolo. Pelas lentes de Van Sant, vemos o quão patético podia ser, depressivamente atrapalhado com sua própria vida, inapto para lidar com seus problemas e sua fama.
Para essa tarefa, Gus Van Sant, profundamente autoral como poucos diretores de seu país e de sua geração, criou Blake, o “Kurt Cobain ficcional”. Essa foi a artimanha de Van Sant para retratar uma realidade que não é suficientemente conhecida. Assim, Blake tem a cara e o jeito de Kurt, mas não É ele. Esse recurso, que pode parecer confuso, é o que torna o filme crível em sua própria confusão: apesar de ser livremente inspirado na realidade, é convincente, e nos passa toda a emoção do real.
Além disso, “Últimos Dias” é um filme lento. Não há uma história de fato, a narrativa é muito fluida, constantemente fragmentada para ser remontada a seguir: a mesma cena é vista várias vezes por ângulos diferentes. O filme acontece num recorte de tempo, de poucos dias antes da morte de Kurt. Praticamente é um filme sem ação, quer dizer, mesmo que o personagem esteja fazendo algo em cena, isso não tem importância para o filme. Acredito que isto em particular motiva boa parte das críticas negativas ao filme. Não de todo sem razão: “Last days” é quase um filme chato. Poderia ter sido um desastre completo. Não é, graças à competência de seu diretor.
O maior acerto de Van Sant com “Últimos Dias” é não tentar explicar o que aconteceu nem teorizar sobre a morte de Cobain. O que sabemos sobre isso já foi tão questionado, e deverá mesmo ficar para lenda, como Jim Morrison e Brian Jones (ambos tiveram suas cinebiografias opinando sobre suas mortes). Nunca saberemos o que, afinal, aconteceu, e Gus Van Sant daria palpite por quê? Ao invés disso, ele preferiu reconstruir a rotina do deprimido Kurt, e mostrar que o ídolo passou pela aflição do vazio, do não sentir-se bem, e saiu dessa mal. Isso se torna mais interessante lembrando que foi exatamente esse o drama dos personagens de “Elefante”, filme anterior de Gus, com estudantes homicidas ao invés de um rockstar.
Eu poderia falar aqui das participações de Asia Argento e Kim Gordon, ou da atuação de Michael Pitt, e de sua banda Pagoda, incluída na trilha, sem medo de ser plágio do Nirvana. Mas o que tem de ser dito sobre “Últimos Dias” é que, mais que um filme lento, é uma radiografia de alguém perturbado, desconfortável no próprio mundo, e sem saída apartente. Porque em algum lugar entre o Ídolo e o Gênio, estava o Kurt agonizante. E entre qualquer um de nós pode ter alguém assim também.
por Janaina Azevedo
Acabei de assistir a esse filme, e sem dúvidas posso afirmar, que até hoje (01/11/07)
nunca vi um filme tão ruim, o filme não passa informação alguma, e eu tinha uma “sede” em saber sobre a vida de Kurt Cobain, e nada foi exclarecido, pode ser ignorancia de minha parte… mas como fã de nirvana e do Kurt, me sinto na obrigação de dar o meu voto negativo para esse filme
Se quiser jogar fora 1hora e 34 minutos de sua vida, assista Ultimos Dias, mas se REALMENTE quiser saber algo sobre Kurt Cobain, leia a sua biografia que aprendera muito mais com isso!
Por: Victor em 2 Novembro 07
às 12:04 am
Esse filme é perfeito………..mostra exatamente quem era o cobain……depressivo, viciado, arrazado……doente…………paranóico………não é atoa que ele se matou…….
O filme é lento, é chato……………mas seria impossível retratar os últimos dias de cobain…..de ums forma alegre e interessante………….o filme é pateticamente bom…
E também não se trata de um filme pra qualquer um assistir…….é um fime pra quem tem noção de crítica……………..por que se não vai meter o pau mesmo……..
V
Por: V em 20 Abril 08
às 11:23 pm
Goste
Por: Carol Cobain em 11 Janeiro 09
às 7:33 pm
Um filme sem uma história, mas com uma atmosfera que procura passar a solidão, a depressão, a angústia e o fim de um ícone do rock mundial, que por trás da fama que conquistou, não se conformou com o que a sua vida se transformou. E enfim, colocou fim a ela.
Filme para assistir como obra de arte e não como filme comercial.
Por: Bobs em 8 Março 09
às 5:36 pm