Publicado por: Revista YMSK | 6 Agosto 07

A problemática dos festivais


             Outro dia ao assistir o canal francês TV5 às altas horas da madrugada; sim, a falta do que fazer é absurda quando se está de férias e a internet apesar de divertida, já não tem o mesmo vigor de antes; me deparei com um festival de música francesa bastante interessante. O evento no caso trata-se do Francofolies de La Rochelle. O festival acontece anualmente desde 1984 reunindo bandas e cantores, sejam eles revelações sejam eles já consagrados e dura 6 dias na cidade portuária de La Rochelle, no oeste francês. A edição deste ano contou com interpretes renomados como o grupo de rock Eiffel, e os cantores Miossec e Sanseverino. 

             Assistindo este festival me peguei refletindo sobre o espaço que as bandas e o público tem na Europa, já que o continente se enche de festivais durante o verão no hemisfério norte, entre junho e setembro, e a dificuldade com que se fazem festivais de música aqui no Brasil. Uma rápida pesquisada na Wikipédia mostrou que enquanto na França, com pouco mais de 60 milhões de habitantes, há mais de 100 festivais de música por ano, aqui no Brasil, com quase 200 milhões, este número não passou de 20, sendo que muitos, como Rock in Rio, não são sequer realizados com alguma periodicidade.

             O que custaria aos encarregados, sejam as prefeituras, sejam empresas privadas de realizar mais festivais de música no Brasil, em especial em São Paulo? Enquanto as nefastas micaretas se reproduzem aos montes, um mísero festival com 5 ou 6 bandas conhecidas além de acontecer raramente, é ainda por cima alvo de vizinhanças enraivecidas que reclamam do barulho como ano retrasado durante o Pearl Jam no Pacaembu ou conseguem trazer em sua maioria os “segundos times” das bandas internacionais como acontece com o Tim Festival.

             Mas nem tudo está perdido, a “Virada Cultural” este ano em São Paulo foi um exemplo de que boas iniciativas européias, como as  “Nuits Blanches” que ocorrem anualmente na França desde 2002, podem ser copiadas. Quem sabe não podemos pensar também em uma “Fête de la Musique” (festa da música), como as que tem lugar na França todo dia 21 de junho e espalha músicos, profissionais e amadores, por toda a cidade e abrange diversos estilos, do rock à musica erudita.

             Não sem tempo, a partir do próximo mês as matérias saíram fresquinhas do além mar pois estarei cumprindo uma escala de estudos em Paris, assim será mais fácil trazer as novidades que pipocam no riquíssimo ambiente musical francês. À tout a l’heure!

por Guilherme Celestino


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