Publicado por: Revista YMSK | 20 Fevereiro 08

O que você não viu na Revista YMSK em 2007

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         Um ano possui 365 dias, 8760 horas e milhões de notícias e lançamentos musicais. Resumi-lo em uma pauta é uma tarefa nada fácil. Mesmo sabendo disso, tentaremos destacar os principais fatos musicais de 2007 que você não viu nessa revista.

OS DESTAQUES

2007 foi um ano repleto de destaques, com direito a revelação do ano, a nova sensação do momento, os inovadores e os novos salvadores do rock.

Klaxons: Podemos dizer que em 2007 a banda londrina foi considerada a nova salvação do rock’n’roll. Os Klaxons são um dos líderes do chamado “new rave”, o rock com uma roupagem nova. O nome desse novo estilo foi inspirado nos anos 80 – lembram-se do new wave – mas o som é baseado nos anos 2000, misturando o bom e velho rock com música eletrônica – daí rave, em referência as longas festas onde o som eletrônico é predominante. A banda teve seu álbum de estréia “Myths Of The Near Future”, lançado em Janeiro de 2007, figurando na lista de melhores de 2007 de várias publicações especializadas no mundo. E não podemos esquecer que os Klaxons foram os vencedores do Mercury Prize de 2007.

Amy Winehouse: Ela surgiu no mundo da música em 2004. Só que até 2006 ela era praticamente desconhecida. E foi em 2007 que ela se revelou para o grande público. Para Amy o ano passado foi simplesmente demais. Demais nas vendas: Seu álbum “Back To Black” foi lançado no final de 2006, mas foi em 2007 que o álbum desandou a vender e se tornou o álbum mais vendido em todo mundo. Só no Reino Unido o álbum vendeu 1,8 milhões de cópias (em plena era do mp3). Demais nas premiações: Amy ganhou o MTV Music Awards, ganhou no Brit Awards e 6 nomeações para o Grammy, só para citar alguns dos prêmios da moça nesse ano. Demais nas notícias: Amy foi a artista que mais apareceu nos tablóides ingleses graças a sua atitude junkie (muito álcool e muitas drogas), desbancando o antigo rei, Pete Doherty.

Radiohead: Quer pagar quanto? Não, a Casas Bahia não foi um destaque na área musical. Mas o álbum do Radiohead sim. E claro, nem é preciso dizer que um novo álbum de Thom Yorke e sua turma é cercado por uma enorme expectativa. Só que desta vez, o que surpreendeu a todos não foram as músicas do novo álbum (que por sinal são ótimas) e sim a forma como o Radiohead decidiu distribuí-lo. De forma totalmente inédita até então no mundo da música, o álbum foi lançado em formato digital através do site da banda e praticamente de graça. Cabia ao internauta pagar o preço que ele achava justo pagar pelo álbum.

Mark Ronson: Quase sempre os produtores musicais ficam num segundo plano. Poucos são lembrados por seu árduo trabalho de produção e acabamento musical, como é o caso do celebrado produtor inglês Nigel Goodrich. Poucos ainda são lembrados por produzirem tão bem artistas de diferente cearas (de Hip-Hop, R&B, Rock, Soul, etc). E dá pra contar nos dedos de uma mão os grandes produtores musicais que são DJs e que ainda fazem seus próprios álbuns. E podemos afirmar que Mark Ronson é um desses poucos prodígios musicais. Em 2007, além de produzir muito (e bem), o cara lançou seu segundo álbum, “Version”, que podemos resumi-lo como sendo uma coletânea de covers. Mas não se enganem porque não são simples covers quaisquer. Graças a sua sensibilidade musical podemos encontrar nesse trabalho, por exemplo, uma versão com uma roupagem mais atualizada para “The Only One I Know”, clássico dos anos 90 da banda inglesa The Charlatans, na voz de Rob Williams. Ou ainda, ouvir uma versão “grooveada” para o rock “Just” do Radiohead. Por essas e outras, o álbum alcançou rapidamente o segundo lugar nas paradas britânicas. E Mark é considerado atualmente um dos melhores produtores do mundo.

OS REENCONTROS

De Led Zeppelin a Police, passando por Mutantes e Jesus & Mary Chain, foi um ano recheado de grandes retornos. E quem viu em 2007 viu. Quem não viu, pode ter a possibilidade de ver ainda em 2008. Ou não…

Os Mutantes:
Ouviram do Ipiranga, as margens plácidas… É verdade que a lendária banda brasileira havia retornado em 2006, com Zélia Duncan nos vocais ao invés de Rita Lee. E foi em 2006 também que eles fizeram uma turnê de grande sucesso pela Europa e EUA (com direito a CD e DVD). Mas foi em 2007, mais especificamente no dia 25 de Janeiro de 2007 nas comemorações dos 423 de São Paulo que os Mutantes fizeram um show de reencontro com a cidade onde eles nasceram, após um hiato de quase 30 anos e bem em frente ao Museu do Ipiranga.

The Police: Alguns dizem que a volta de Summer, Copeland e Sting a ativa foi para cicatrizar as feridas do passado e refazerem as pazes. Dizem por aí que era apenas para comemorar o 30º aniversário da banda. E outros dizem que foi uma volta com objetivo caça-níqueis. Todas as hipóteses estão certas, mas o que importa mesmo é que uma turnê de retorno de uma banda como o Police é sempre muito bom todas as partes. É bom para os fãs das antigas (agora tiozões com seus 30 ou 40 anos), que matam a saudades da banda. É bom para aqueles que não tiveram a oportunidade de vê-los antes, pois acabam tendo a oportunidade de ver todo o talento de uma lenda tocando ao vivo. E, logicamente, é muito bom para o bolso dos empresários e para dos próprios artistas; a turnê do Police (chamada de “Reunion Tour”) foi a mais lucrativa de 2007, arrecadando nada mais nada menos que 200 milhões de dólares.

Jesus & Mary Chain: Em maio de 2007, o já tradicional festival californiano de Coachella viu ao vivo o retorno de dois irmãos que formaram uma das bandas mais importantes do rock alternativo de todos os tempos. Jim Reid e William Reid tocaram por mais de uma hora os principais sucessos do Jesus & Mary Chain. O show teve até a participação especial da atriz Scarlett Johansson no backing vocal durante a execução da música “Just Like Honey”, que fez parte da trilha sonora do filme “Encontros e Desencontros” (dir. Sofia Coppola), protagonizado por ela.

Led Zeppelin: Tão lendária quanto o Police, o Led Zeppelin já fez um show em Londres onde a maioria dos fãs pagou em média 500 reais por um ingresso. A banda de Jones, Page e Plant já não conta mais com baterista John Bohan, que morreu em 1980. Em seu lugar foi chamado o seu filho, Jason Bohan. O Led planeja sair em turnê mundial nesse ano de 2008, mas ainda não há nada de concreto. O certo foi que 2007 já entrou para a história do rock graças a volta dessa incrível banda.

AS SEPARAÇÕES

Podemos dizer que em 2007 as rupturas em âmbito nacional foram as mais sentidas. E não estamos falando da separação da dupla Sandy e Junior (obviamente sentida por uns e comemorada por outros)…

IRA!: Família é sempre complicada. Sempre há brigas; brigas entre primos, tios e principalmente entre irmãos. E foi graças a uma briga (feia) entre Nasi e seu irmão, Airton Valadão, empresário do IRA! por motivos ainda desconhecidos do público que acabou ocasionando a separação do vocalista com a banda. Por enquanto, é Nasi de um lado e o IRA! (agora com Jung, Scandurra e Gaspa) de outro.

Los Hermanos: Não é o fim. É apenas um descanso, férias prolongadas. Foi essa a justificativa dada pela banda carioca para sua separação, repentina e inesperada pelos fãs. E justo no momento em que a banda se encontrava em seu auge (criativo). Mas antes da separação, a banda fez quatro shows de “despedida” no Rio de Janeiro, todos lotados. Agora cada um de seus integrantes se dedica aos seus projetos particulares. Camelo pretende lançar-se em carreira solo e Amarante continua com sua Orquestra Imperial.

Os Mutantes: A cantora Zélia Duncan foi chamada no lugar da Rita, após a ela recusar o convite de tocar com sua antiga banda. E foi Zélia a primeira dizer não querer mais continuar com os Mutantes para se dedicar a sua carreira solo. Em seguida, Arnaldo anunciou a sua saída para escrever sua autobiografia. Sobraram Sérgio Dias e Dinho Leme. Ambos continuam e prometem gravar material inédito. É esperar para ver.

OS SHOWS

É comum reclamarmos da falta de show de artista internacionais no Brasil, mas de 2007 não podemos reclamar. Foi um ano repleto de shows internacionais: Veja aqui uma listinha dos principais artistas da gringa que passaram por aqui em 2007: Aerosmith, Ben Harper, Placebo, Coldplay, LCD Soundsystem, The Rakes, The Magic Numbers, Björk, Cat Power, Mudhoney, Arctic Monkeys, The Killers, The Chemical Brothers, Kasabian, Lilly Allen, The Police entre outros. Depois dessa lista, só podemos reclamar mesmo é dos preços…

E O TROFÉU “BANGÚ” VAI PARA…

Esse troféu simbólico é concedido ao mais encrenqueiro e barraqueiro da música ou ao principal destaque negativo no ano que passou. E em 2007 ninguém mais mereceu esse prêmio do que Britney Spears. Ela conseguiu facilmente desbancar a concorrência com uma “pequena” lista de barracos e confusões: divórcio, brigas com fotógrafos, foto sem calcinha, bebedeira em balada, cabelo raspadinho estilo Sigourney Weaver, perdeu a custódia do filho, lançou um álbum horroroso, bateu o carro bêbada, pegação em público com fotógrafo, etc. Em apenas um ano Britney conseguiu fazer tudo isso e mais um pouco.

por Pérsio Kojima


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