Apesar do apreço por trilhas sonoras, ainda não chegou o momento em que a YMSK começou a receber para resenhar os filmes brasileiros sensação da temporada. Por mais que Selton Mello cante Roberto Carlos, aqui os personagens que ainda interessam são músicos. No entanto, a vida de muitos destes trabalhadores que impunham guitarras poderia virar filme.
Pense naquela história que você deve ter visto um zilhão de vezes na sessão da tarde: menino fora dos padrões de beleza, tem pais estranhos e acaba sendo excluído por seus coleguinhas. Mais para frente, o jovem desarranjado arranja um catalisador que o tornará bem sucedido, para o despeito de todos que um dia riram de seus óculos fundo de garrafa. Contado e vivido na ficção até não poder mais, este roteiro poderia render bons royalties para Rivers Cuomo, vocalista de Weezer, que com um estilo bem peculiar, mais um diploma de Harvard, conseguiria deixar a trama ainda mais atraente, afinal, ele potencializa o teor da palavra estranho.
Seguindo pela linha acadêmica, não há intelectual que não goste de mencionar Sigmund Freud. Resumindo as teorias do pai da psicanálise: tudo é sempre culpa da mãe! A família Cuomo não foge a regra. Apesar de ter nascido em Manhattan, local de famílias abastadas, Rivers foi criado bem distante das casas suntuosas. Com os pais, o menino cresceu em uma comunidade pouco ortodoxa em Connecticut, traduzindo: o rapaz que um dia se divertiria gravando um clipe na mansão da Playboy, tornou-se adulto cercado por pessoas entoando mantras em um centro de Yoga.
Não bastasse essa mudança drástica no estilo de vida, Rivers não é um nome muito usual. Se bem que hoje em dia há Apples, Cocos e Pilot Inspektors… mas 1970 foi uma época bem diferente! O único nome comparável ao do vocalista seria seu xará singular, o ator River Phoenix. Pior que o nome, só a inspiração da mãe da criança: ela gostava do barulho do Rio Hudson que corria próximo do hospital onde deu a luz ao filho. Só me pergunto se ela gostava do ruído das folhas das árvores que se mexiam quando o irmãozinho nasceu. Rivers e Leaves Cuomo, melhor sorte em uma próxima encarnação.
O pai músico deve ter sido a tábua da salvação do pequeno cdf. A fim de seguir a carreira artística Cuomo foi parar em Los Angeles. Lá, depois de algumas tentativas frustradas, surgiu o Weezer. E agora chegamos aonde realmente importa: a música que fala pelo seu dono. O primeiro disco da banda, conhecido como Blue Album (1994), dava ao mundo uma segunda opção para quem não gostava de camisas de flanela, não tinha cara de mal, nem cabelo ensebado: você pode ser nerd e isso é muito bom! A primeira faixa, My Name is Jonas, poderia ser a representação de um distúrbio de personalidade causado por anos de maltratos infligidos pelos colegas devido à perna ligeiramente (delicadeza minha) mais curta que a outra. A sensação de ter sido excluído também está presente em The world has turned and left me here. Mas ninguém contava que uma singela faixa alegrinha faria sucesso o bastante para bancar uma cirurgia miraculosa que incluía quebras de ossos, gesso e esticões para emparelhar os membros inferiores. Uma canção milagrosa como Buddy Holly poderia ter sido poupada da versão cretina do Bidê ou Balde…
Em Pinkertron (1996), três fatos inusitados marcam a película cinematográfica de Rivers. Antes de mais nada, uma situação típica de filme pipoca adolescente: você não tem o seu amor correspondido. Porém neste caso o rival não é o capitão do time de futebol da escola e sim outra moça. Era de se esperar que depois de Pink Triangle o rapaz cansasse do sexo oposto. E para levar ao pé da letra a idéia de Tired of sex, nada melhor do que o celibato. Mas a salvação viria em el Scorcho. Em 2006, 10 anos depois de Pinkertron, Rivers casou com uma moça chamada Kyoko Ito. O nome da esposa não nega suas origens orientais, uma preferência que Rivers já demonstrava ter na faixa 7 que antecede àquela do romance lésbico.
Desde então o Weezer tem 5 discos lançados (o sexto é previsto para esse ano) e Rivers lançou seu primeiro disco solo, Alone: the home recordings of Rivers Cuomo, no fim de 2007. O nome escolhido para a empreitada solitária não poderia definir melhor a situação em que um estranho se encontra normalmente. Mas até nessa hora Rivers parece ser ainda mais fora do normal. Em vez de ficar em casa lendo Proust, Faulkner e adjacentes, o rapaz socializa com outros músicos e ainda estaria se preparando para lançar um projeto reunindo músicas, imagens e escritos sobre a própria trajetória detalhada de 1992 até 10 de maio de 1994. Cadê o espírito anti-social? E o coração de um ermitão tímido que não gosta de dar entrevistas? O rapaz que deve ter visto os óculos de Elvis Costello ao compor o visual para a banda de meninos deslocados tocando na garagem da avó ainda consegue trazer estranhamento até mesmo para algumas regras básicas do comportamento de alguém tresloucado. Depois em pleno século XXI, ele começou a querer se divertir em uma ilha ao sol. Ora essa, onde já se viu intelectual bronzeado?
Mesmo depois de recapitular a vida de Rivers e encontrar mais evidências de sua estranheza do que um detetive de Hollywood investigando um serial killer, algum fã do Weezer pode ficar ofendido com o rótulo dado com menção honrosa para o vocalista. Mas pessoal, não se preocupem, não há nada mais cool hoje em dia do que ser, digamos, diferente. Que o diga a pequena Miss Sunshine…
por Lidiana de Moraes
Gostei do post… mas na boa, eu curto muitas músicas do Weezer… e o mais legal neles é o estilo e a temática das letras, q uma banda de cabeludos tatuados e pupilas dilatadas por causa das drogas não faria nem um pouco o estilo das músicas. Basicamente é isso, eles têm um som ótimo, e o estilo deles é perfeito pros som q fazem. É o que eu penso né?!
Por: Rafael em 19 Setembro 09
às 4:00 pm